Controle de verminose para caprinos e ovinos

Região de clima temperado de Mata Atlântica

 
Acesse as recomendações do Paratec Vermes para as regiões da Mata Atlântica clicando nos estados a seguir:
 
 
Mata Atlântica - São Paulo
 
Programa Paratec Vermes para a região de Mata Atlântica – São Paulo, abrange diversas estratégias que, quando utilizadas de maneira conjunta, são mais eficazes. Para melhor compreensão do controle da verminose dos ovinos em São Paulo é necessário entender que vários fatores estão associados ao bom desenvolvimento dos animais, tais como: ambiente (alimentação e instalações) e hospedeiro (saúde, imunidade, genética e bem-estar). De maneira geral, os principais endoparasitas presentes nessa região são: Haemonchus contortus, Trichostrongylus spp., Cooperia spp., Oesophagostomum spp., pois são parasitos que melhor se adaptam ao clima. No entanto, ao longo do ano, sua prência aumenta ou diminui dependendo de sua adaptabilidade em relação ao clima. As principais perdas, devido à redução na produtividade e mortalidade, ocorrem em animais em crescimento e em ovelhas, do final da gestação até a desmama dos cordeiros (período de lactação). Os problemas costumam ser extremamente graves, especialmente quando os animais são alimentados exclusivamente com gramíneas tropicais, com teor de proteína bruta inferior a 10%.  
 
1.O primeiro passo para realização do controle da verminose em sua propriedade é conhecer os principais parasitos que estão presentes. Esse reconhecimento pode ser feito por meio da coprocultura. Clique aqui para entender como o técnico realiza a coprocultura.
 
2.O segundo passo, após conhecer os parasitos presentes, é realizar um teste de eficácia dos vermífugos. Não se deve fazer o controle de verminose sem saber quais vermífugos são eficazes na propriedade. É importante ressaltar que esse teste DEVE ser realizado em cada propriedade pelo menos uma vez ao ano. Clique aqui para entender como realizar o teste de vermífugo.
 
3.O terceiro passo é adotar medidas profiláticas que vão garantir uma redução da infecção dos animais:
 
Medidas Principais: 
  • Mantenha os cochos de água e alimentos sempre limpos e colocados fora da baia para evitar contaminação com as fezes dos animais. Veja aqui como fazer a limpeza das instalações.
  • Fornecimento de alimentação que atenda plenamente as necessidades nutricionais dos animais. 

       - Cordeiros: a dieta deve permitir ganho em peso médio diário superior a 200 g/dia.

       - Ovelhas: a dieta deve ser suficiente para evitar redução no escore corporal durante a lactação. O ideal é que a alimentação propicie manutenção de escore corporal ≥ 3, do final da gestação até o final da lactação.

  • Dar preferência a raças ovinas mais adaptadas ao clima tropical, que são mais resistentes aos parasitas. Problemas relacionados à qualidade inferior da carcaça podem ser suplantados utilizando-se matrizes, dessas raças, em cruzamento com macho que apresente elevado potencial produtivo. Exemplo: ovelhas Santa Inês x cruzadas com carneiro Ile de France. 
  • Identificar e eliminar do rebanho animais com predisposição à verminose, pois essa característica é hereditária. Animais que receberem mais de 8 doses de vermífugo no período de seis meses são candidatos ao descarte.
 
Medidas complementares: 
  • Confinamento: Útil para minimizar as perdas registradas nas categorias susceptíveis e pode ser utilizado para acelerar a terminação ou recria de cordeiros.
  • Utilização dos piquetes e pastagens “limpos” (pouco contaminados) para a colocação dos animais que apresentam maior susceptibilidade. O consórcio com bovinos (especialmente adultos) e equinos pode favorecer a eliminação das espécies que parasitam os ovinos. Da mesma forma, áreas utilizadas em integração lavoura-pecuária (ILP), podem ser consideradas descontaminadas após a colheita de culturas vegetais (milho, soja, etc...). 
  • Utilização de tratamentos anti-helmínticos. Eficiência geralmente reduzida devido à elevada prência de vermes resistentes. Todos os animais com sinais clínicos de verminose devem ser vermifugados imediatamente. Clique aqui para saber como utilizar os vermífugos corretamente.
  • Animais que não apresentam sintomas evidentes devem ser avaliados quanto à necessidade de tratamento através de métodos seletivos. O mais indicado para a região do semiárido é o método FAMACHA©.
 
Outras recomendações para uso correto dos vermífugos são: 
  • Animais comprados devem ser tratados antes de incorporá-lo ao rebanho.
  • Não vermifugue as fêmeas no terço inicial da prenhez (primeiros 45 dias) para evitar problemas com a cria.
  • Vermifugue as fêmeas 30 dias antes do parto.
  • Vermifugue os animais que vão entrar na estação de monta.
  • Não mudar os animais de pasto imediatamente após a vermifugação.
  • Após a vermifugação deixe os animais presos no chiqueiro ou no aprisco, por pelo menos 12 horas (faça as vermifugações sempre no final da tarde).
  • Animais jovens serão tratados somente após o contato com o pasto, geralmente após a terceira semana de pastejo; a necessidade de tratamento nessa categoria também deve ser avaliada utilizando o método FAMACHA©.
  • Leia a bula do vermífugo e siga as instruções do fabricante quanto ao período de descarte do leite e tempo para o abate.
  • Tente reduzir ao máximo a frequência de vermifugações.
  • Não se recomenda mais vermifugar e trocar de pasto.
  • Não troque o vermífugo, exceto se sua eficácia tenha sido reduzida para menos de 80%. Ao suspeitar de perda da eficácia (ou a cada 2-3 anos), faça o teste de eficácia do vermífugo e realize a troca do vermífugo.
  • Em caso de dúvidas consulte o médico veterinário.

 

 

Mata Atlântica - Paraná
 
O Programa Paratec Vermes para a região de Mata Atlântica - Paraná abrange diversas estratégias que, quando utilizadas de maneira conjunta, são mais eficazes. Para melhor compreensão do controle da verminose dos ovinos é necessário entender que vários fatores estão associados ao bom desenvolvimento dos animais, tais como: ambiente (alimentação e instalações) e hospedeiro (saúde, imunidade, genética e bem-estar).
 
De maneira geral, os principais endoparasitas presentes nessa região são: Haemonchus contortusTrichostrongylus spp., Cooperia spp., Oesophagostomum spp., pois são parasitos que melhor se adaptam ao clima. No entanto, ao longo do ano, sua prência aumenta ou diminui dependendo de sua adaptabilidade em relação ao clima.
 
1. O primeiro passo para realização do controle da verminose em sua propriedade é conhecer os principais parasitos que estão presentes. Esse reconhecimento pode ser feito por meio da coprocultura.
 
2. O segundo passo após conhecer os parasitos presentes, é realizar um teste de vermífugo em sua propriedade. Não se deve fazer o controle de verminose sem saber quais vermífugos são eficazes na propriedade. É importante ressaltar que esse teste DEVE ser realizado em cada propriedade pelo menos uma vez ao ano.
 
3. O terceiro passo do controle da verminose é estabelecer os critérios que devem ser utilizados no tratamento seletivo dos animais, de acordo com a categoria animal (cordeiro, borrego, matriz vazia, matriz prenhe, matriz em terço final de gestação, lactação e reprodutores).
 
Critérios para o tratamento seletivo na Mata Atlântica
 
Importante: todos os critérios devem ser trabalhados de maneira conjunta para obter sucesso no controle da verminose.
 
Frequência do tratamento seletivo 
 
Ao trabalharmos no controle da verminose devemos entender que os parasitos possuem preferência por determinada época do ano e isso varia de acordo com cada parasito. Para a nossa região, o parasito mais patogênico e mais prente é o H. contortus, parasito que ocorre em regiões bem distintas e se adapta melhor em dias quentes e úmidos. As infecções parasitárias são mistas, ou seja, o ovino vai se infectar com mais de um tipo de parasito, dessa maneira devemos se atentar e selecionar alguns critérios para o TST.
 
Normalmente o tratamento seletivo é indicado de duas maneiras (ver abaixo), no entanto, quando existe uma maior incidência dos parasitos, deve-se diminuir o intervalo entre uma avaliação e outra.  O indicado é:
  • Nos meses mais quentes e úmidos (verão e primavera) recomenda-se a avaliação a cada quinze dias dos animais ou no máximo em três semanas.
  • Os meses mais frios e secos (outono e inverno) recomenda-se a avaliação mensal dos animais.
  • É importante salientar que a frequência em que será realizado o tratamento seletivo está ligada ao tipo de produção, alimentação e ao bem-estar dos animais. Por exemplo: Em propriedades onde os animais são subnutridos, com manejo alimentar precário, estes terão dificuldade em conviver com seus parasitos. 
 
Como associar critérios e categoria animal
 
A categoria animal é de extrema importância nos rebanhos de ovinos, pois sabe-se que existe uma relação de sensibilidade em determinadas categorias. São consideradas categorias sensíveis à verminose: ovelhas prenhes, ovelhas em lactação, animais recém-desmamados e jovens (cordeiros e borregos). As demais categorias (vazias e reprodutores) são consideradas um pouco mais tolerantes.
 
Desta maneira, quando vamos aplicar os critérios do tratamento seletivo, devemos olhar com cuidado para essas categorias de animais, não permitindo que cheguem a maximização da sua produtividade ou saúde, para após isso recuperá-la. 
 
Quando se trata de uma categoria animal mais sensível à verminose, devemos observar a avaliação anterior desse animal, como mostra a tabela abaixo: 
 
 Avaliação 1Avaliação 2
MatrizCategoriaFCCCategoriaFCC
01Prenhe13,0Prenhe13,0
02Lactação22,5Lactação22,0
 
 
 
 
 
 
Nesse exemplo, é nítido que a ovelha 02 apresentou em duas avaliações (intervalo de 15 dias), uma piora no seu escore de condição corporal e manteve a avaliação do método FAMACHA© em 30 dias. Nesse caso, por se tratar de uma ovelha que se enquadra na categoria sensível a verminose, devemos trata-la para que se recupere o mais rápido possível. Em contrapartida, a ovelha 01 não precisa de tratamento, pois seu desempenho é satisfatório.
 
  • Ovelhas vazias, reprodutores e em estação de monta
Deverá ser realizado acompanhamento individual a cada três semanas dos animais destas categorias, por meio do método FAMACHA© e do escore de condição corporal (ECC). 
  • FAMACHA 1 → nunca tratar com anti-helmíntico o animal independente da sua condição corporal. 
  • FAMACHA 2 → tratar com anti-helmíntico o animal se o escore de condição corporal for ≤ 2,5. 
  • FAMACHA 3 → tratar com anti-helmíntico o animal independente da sua condição corporal. 
  • FAMACHA 4 → tratar com anti-helmíntico o animal independente da sua condição corporal. 
  • FAMACHA 5 → tratar com anti-helmíntico o animal independente da sua condição corporal. 
 
  • Ovelhas prenhes ou em lactação
Será realizado acompanhamento individual a cada 15 dias das ovelhas destas categorias através do método FAMACHA e do escore de condição corporal (ECC). 
  • FAMACHA 1 → nunca tratar com anti-helmíntico o animal independente da sua condição corporal.
  • FAMACHA 2 → tratar com anti-helmíntico quando o escore de condição corporal for ≤ 2,0 em duas avaliações e o FAMACHA mantiver 2,0. 
  • FAMACHA 3 → tratar com anti-helmíntico independente da condição corporal do animal. 
  • FAMACHA 4 → tratar com anti-helmíntico independente da condição corporal do animal. 
  • FAMACHA 5 → tratar com anti-helmíntico o animal independente da sua condição corporal. 
 
Observações:
  • Anotar todos os animais tratados 
  • Se o animal mantiver FAMACHA 2 por duas avaliações e escore de condição corporal ≤ 2,0, o produtor deve tratar o animal com um anti-helmíntico.
 
Escrituração zootécnica - animais tolerantes à verminose
 
Existem várias maneiras de se
selecionar um rebanho para que seus descendentes sejam mais tolerantes à verminose. O tratamento seletivo por si só consegue identificar os animais que são mais sensíveis (susceptíveis) à verminose.
 
Ao realizar o tratamento seletivo, recomenda-se que se anote os animais que são tratados. Desta maneira, ao longo das avaliações se conseguirá deixar no rebanho apenas os animais que não serão tratados com frequência.
 
Recomenda-se que juntamente com os dados zootécnicos da propriedade, se armazene os dados referentes ao controle da verminose para que no futuro se consiga estimar o quanto foi gasto com tratamento nesses animais e posteriormente se faça uma seleção dos animais que não são tratados.
 
 
 
Vantagens do tratamento seletivo
 
  • Uso racional dos medicamentos, com consequentemente diminuição do número de tratamento e aumento da vida útil da molécula.
  • Diminuição do gasto com aplicações desnecessárias (Tabela 1).
Tabela 1. Comparativo do rebanho 1, que utiliza o tratamento convencional a cada mês e o rebanho 2, que utiliza o tratamento seletivo todo mês.
 Rebanho 1Rebanho 2
Número de animais100100
Número médio de animais1008 a 10 em média
Número médio de doses de vermífugos por ano1200108
Gasto médio com vermífugos por mês*R$ 200,00R$ 18,00
Gasto médio com vermífugos por anoR$ 2.400,00R$ 216,00

* Considerando um valor fictício de R$ 2,00 por animal desverminado.

  • Auxílio em outras doenças, pois os animais são manejados mais frequentemente (miíase/bicheira, claudicação/manqueira) e outras enfermidade que são observadas mais rapidamente.
  • Treinamento de mão de obra e realização por pessoa técnica.